segunda-feira, 9 de março de 2015

Macaé

Eu bato à porta pelo lado de dentro.
Penduro as chaves pelo lado de fora.
Este é apenas outro canto onde a poeira mora
e que insistem em chamar de meu.

Não estando lá, tampouco estou aqui,
a muitas milhas do lugar onde devo dormir.
Eu não quero ficar.
E eu não sei como sair.

Pois chegar virou sinônimo de partir,
partir-me em migalhas
que ficam pelo caminho
para marcar a direção de casa.

"Aqui" é apenas uma variável
definida em função do tempo.
Já não sei mais se volto,
Já não sei mais se vou.

Por isso espero "aqui" sozinho,
pelo mês que me levará pra casa,
entre pastos e duplicações de via
transcorrem os meus últimos dias
nos quilômetros que separam
o Rio de Macaé

domingo, 8 de setembro de 2013

música 6

Oneiroi (Sonhos)

Segue do abismo as mãos sombrias que abrem a porta
Caminho cravejado de estrelas e lágrimas
Onde o Infinito nos toca

Em espirais, ao centro sempre a orbitar
Revelando seus doces subterfúgios
Enquanto a manhã não vem nos separar

Enlace efêmero, tão intoxicante e verdadeiro
Ao menos para esta alma que se esqueceu
do que havia lhe sido revelado primeiro

Não importa o quanto dôa e o quanto ainda dói
Seremos sempre Oneiros de Oneiroi.

p.s.: a música que o glauber fez em cima desse texto foi uma das coisas mais belas que eu já ouvi em minha vida

sábado, 7 de setembro de 2013

Golem

Pequeno,
mais do que pensara ser,
tateando feridas na escuridão.
O translúcido amplexo da falta não se aparta
e tampouco deixa-me partir.

Tomo forma.
Delineio em meu rosto
novos sulcos e novas expressões.

Observo calado
dioramas de vidas plenas
dentro das cercanias do possível.
Os dissabores lhes lufam as velas
e anseiam logo por um algo além.

Como criaturas sem criadores
e como criadores sem suas crias,
contemplando todo o peso das escolhas
projetadas nas longitudes plúmbeas
de horizontes equidistantes. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

To be this wrong

What does it take
to make a perfect moment still?
Clutching hands
finding the nothingness in each other.

Her scent still lingers here
but she lies in the arms of another.
Desiring to be free set her asunder.

But capricious were the ways she lived under.
But it´s not right
for the world to tell her wrong.
It wasn´t mortals
she lived amongst.

Wide eyed, lost and strong
A flickering projection of beauty
over a world that simply isn´t.
It is a true heart´s desire
to ever be this wrong.

Cerração

A serra segue o vale
Através do rio, o céu toca o chão
Pelo caminho eu cerro os punhos
Mas acreditem ... isso é uma oração

Em feridas a terra se revela
O vermelho de uma amarga ilusão
Todos se esqueceram dela, sussurrou
Fogem do que no fundo são

E eu não sei mais o que hoje sou
Mas estas ruas ainda são tragadas
Pela mesma cerração

Fundações

A princípio ignora-se o som,
o inconfundível estalar das coisas prestes a partir.

As paredes então se riscam com fissuras
que agora, no silêncio, espreitam o colapso.

Diz não querer ficar, tampouco sabe como ir,
querendo estar em qualquer outro lugar
do que nesta morada prestes a ruir.

No silêncio existe dor,
no horizonte compaixão.
Sob este teto há o conforto,
é mais fácil dizer sim
do que desviar dos escombros
e gritar não

Tudo repousa em um equílibrio frágil
de um jogo de peças que não se encaixam
eu queria que tudo fosse mais fácil
mas no escuro mãos tateiam em vão.

The Tiger - William Blake

TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?