terça-feira, 30 de junho de 2026

Tempestades

 


As feridas ainda se fecham.
Tábuas transpostas pregadas sobre portas.
Vãos pendem solenes
por entre a mobília revirada.
As janelas hão de se quebrar,
mas o pior passou.

Uma casa inteira em cacos feita.
O vidro orna o chão com sangue.
O silêncio não conforta mais
os quartos preenchidos pela falta.
É tudo tão azul aqui.

Fotografias se arrevoam pela sala.
Velhas cartas são destruídas pela água.
Já não se ouve música aqui,
mas tudo já teve seu lugar.

Eu ainda ouço os trovões distantes.
Sinto o vento em meu rosto.
Nada mais me restou.
A noite esconde a dimensão da perda.
Livre enfim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário