As feridas ainda se fecham.
Tábuas pregadas sobre portas.
Vãos pendem solenes
por entre a mobília revirada.
As janelas hão de quebrar,
mas o pior passou.
Uma casa em cacos feita.
O vidro orna o chão com sangue.
O silêncio não conforta mais
os quartos tão preenchidos de falta.
É tudo tão azul aqui.
Fotografias arrevoam pela sala.
Velhas cartas destruídas pela água.
Já não há música aqui,
mas tudo já teve seu lugar.
Eu ainda ouço os trovões distantes.
Sinto o vento em meu rosto.
Nada me restou.
A noite esconde a dimensão da perda.
Livre enfim.