sábado, 18 de abril de 2026

Sal & Suor


4/4

Verso - parte A 

D
e|2
B|3
G|2
D|0
A|-
E|-

D7
e|2
B|1
G|2
D|0
A|-
E|-

G/B
e|3
B|3
G|0
D|0
A|2
E|-

Gm/Bb
e|3
B|3
G|0
D|0
A|1
E|-

Verso - parte B

D
e|2
B|3
G|2
D|0
A|-
E|-

D7(no3)
e|5
B|3
G|5
D|0
A|-
E|-

G
e|3
B|3
G|4
D|5
A|-
E|-

Gm/D
e|3
B|3
G|3
D|0
A|-
E|-

Pré-Refrão

Bm
e|2
B|3
G|4
D|4
A|2
E|-

Bm11/A
e|0
B|3
G|4
D|4
A|0
E|-

G6
e|0
B|0
G|0
D|0
A|2
E|3

F#
e|2
B|2
G|3
D|4
A|4
E|2

Refrão
Dm
e|1
B|3
G|2
D|0
A|-
E|-

A7/E
e|0
B|2
G|0
D|2
A|-
E|-

Bb/D
e|1
B|3
G|3
D|0
A|-
E|-

Gm/Bb
e|3
B|3
G|0
D|0
A|1
E|-

(Verso - Parte A 2x)
Aqui não mais me dá pé
Não consigo mais respirar. 
As ondas vão me levar
para algum lugar 
tão sereno e azul

(Verso - Parte B 1x)
E você estará lá 
Esperando o meu chegar

(Pré-Refrão 3x)
Mas o sal me queima a boca
É tão difícil respirar.
Ainda me resta alguma força 
É preciso navegar ×3

(Refrão 4x)
Viver não é preciso não x 4

(Verso - Parte A 2x)
Uma estrela,
Um farol ,
Um lugar nenhum.
Sobre a areia,
Sob  ondas,
É tudo tão comum.

(Verso - Parte B 1x)
E você estará lá 
Esperando o meu chegar

(Pré-Refrão)
Mas o sal me queima a boca
É tão difícil respirar.
Ainda me resta alguma força 
É preciso navegar x3

(Refrão)
Viver não é preciso não x 4


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Vozes e Vultos



Como é sem graça
o beijo das traças,
vozes e vultos
assombram o meu violão.

Uma luz diferente
reluz sobre meus dentes
em meio à pompa
e toda circunspenção.

"Irmãos venham aqui,
eu vos reuni
para ensaiar
meu mais novo sermão."

É tudo água
ou apenas mágoas
ornando o vazio
entre o ceú e o chão?

São tão sem graça
essas nossas farsas,
do amargo vinho
ao dormido pão.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Com Espinhos

 

As cores estão mudas.
Está tudo bem.
Tudo isso há de passar também.

O silêncio nos coletivos
é quase uma oração.
Algo havia de nos guiar
por entre cada estação.

Com minhas malas e medos, eis me aqui,
o mesmíssimo lugar de onde eu parti.
Um pouco mais velho,
menos inocente,
mas ainda sim perdido
entre ilusões e dissabores.

Tomo meu café com espinhos.

Deveria haver algo mais,
mas só existe a nudez de conhecer-se bem.
Tudo isso há de passar também.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Claridade (v2)

 

Por mais que sigas na frente
rasgando a noite como um raio,
passos atentos amparam tua jornada.
Havemos de estar aqui,
próximos ou distantes,
protegendo-te sem podar quem és.

O sangue traça primeiro
as margens indeléveis do afeto.
A presença as reforça,
como fibras entrelaçando-se
em meio ao revoar dos dias,
uma corda conectando
o seu ser com o seu se tornar.
É tão difícil mensurar algo tão delicado
por entre o borbulhar dos fugidios anos.

Não tenho palavras doces para lhe dar,
apenas abraços sem jeito,
piadas sem graça,
a constância resoluta dos costões
que margeiam os mares,
que suportam as ondas.

Quando tu vens, entras pelas janelas
como a luminosidade leve de um dia bom,
e a tarde cinza preenche-se de risos.

terça-feira, 10 de junho de 2025

מלאכים


A estática é tudo que ouço,
estações fora de sintonia,
portadoras esganiçando o sinal.
Com minha antena perscrutando o infinito,
nenhuma fagulha ou faísca pude encontrar.

Aonde estariam os mensageiros?
Carregam eles nossas preces para o abismo?
Eu também queria ouvir a música das esferas
ecoando doce por entre o périplo dos planetas.
O universo é tão indiferente
à nossas agruras torpes e pequenas.

Eu ainda estou aqui,
como a espuma desfazendo-se na praia,
como a areia cuja queda marca o tempo,
como o pêndulo cessando seu movimento,
como o vento encontrando sua casa
no grande corte na barriga da noite.

Eu presto muita atenção ao que o silêncio diz.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

δαίμων



Tu és por estrelas e signos designado,
um emissário de velhos deuses,
testemunhando o espírito tornar-se carne
e a carne em espírito refazer-se.
Sou mais velho do que me recordo,
prisioneiro dos incontáveis anos.
A roda gira uma vez mais.

Minhas feições mutáveis,
meus passos errantes.
Sou tão imperfeito quanto me permito ser,
mas tu és sempre eterno,
incorrompido pela geração.
Tu és o silêncio prenhe do possível
em que nada nunca há de acontecer.

Qual é a virtude de suas asas?
Qual o valor de suas palavra mudas?
Vigia-me como um carcereiro distante,
temendo que eu possa tocar-te,
temendo que possa eu um dia aprisionar-te
por entre as páginas do Livro dos Dias.

Eu estou aqui,
eternamente sob o jugo do olhar.
Perto demais para esquecer,
distante demais para tocar.

Mas sombras agora pendem largas
marchando contra o Sol e sobre mim.
Eu habito nos vales profundos,
mas eu não estou perdido.
Os ciclos nunca se encerram.
A vida não se abate.
Hei de deitar-me novamente.

Por quantas vezes hei de nascer e morrer
até que seus pés se dignifiquem
a tocar tão sagrado chão?

No céu distante,
todo os astros são perfeitos,
mas nesta terra ocre e dura,
todo homem e toda mulher são uma estrela.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Jonas



Ninive me conclama sem palavras ou gestos,
somente algum senso de dever e desejo
ardendo como uma chama alta demais,
brilhando como uma estrela fria.
Algo mais imaginado do que concreto.

Eu virei meu rosto para o gélido Oeste
pensando nele encontrar respostas,
mas só deparei-me com areias ermas
que trouxeram-me até o traiçoeiro mar.
Quase nada me restou.
Eu habito toda a extensão de minhas escolhas.

Tudo range e sibila no silêncio dessa nau,
Perseguindo bálsamos no poente,
Trajetórias e vistas demasiadamente claras,
mas tudo sempre se desfaz em vento e vagas.

Engolfado por uma escuridão líquida,
meus sensos se desvanecem dóceis.
Minha pele e meus pêlos molhados.
Sou nutrido e curado como uma criança do abismo
feita inteira na ausência de toda luz.

No terceiro dia eu também retornei,
tendo no silêncio encontrado minha palavra.