segunda-feira, 8 de junho de 2026

A Raiz Azul dos Sonhos


Com os olhos fechados,

Perdido em escuridão líquida,

Outros mundos em sussurros se descortinam.

Encontro-me pairando em vastidão sem forma

No infinito amniótico

Onde os começos se dissolvem,

Pulsando transformações como marés.

.

Posso sentir algo em mim mudando,

Os estertores de alguma morte desigual.

Estou translúcido para os dissabores de tudo.

Ouço notas que parecem reverberar mais longe

Sugerindo alguma unidade a muito perdida.

.

Minhas mãos se estendem como capilares invisíveis.

Posso roçar as pontas dos dedos no incognoscível,

Traçando a raiz azul dos sonhos

No primevo movimento esquecido.

Daqui brotam os etéreos alicerces

De tudo que é significativo

E de tudo que é real.

.

Estamos prenhes de motivos e sentidos

Apenas enquanto presos nestas teias do lembrar.

Ainda assim nossas vozes ecoam breves

Por entre este vácuo sideral ocupado

Pelo interstício de nossas horas,

Pela finitude de nossos risos.

.

Sombras difusas rodeiam-me.

Os olhos abrem-se novamente.

Trilho a estreita rota da manhã.

Vistas claras, peito leve.

Todos os psicopompos precisam retornar sozinhos.

Um origami de luz e sombras.


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