segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Pleural

Poço, negro poço,
Debruço-me sobre ti
Para ver os meus pesares,
Mas contemplo apenas
Uma escuridão líquida.

Escorrendo por entre dedos e mãos,
Emancipando-se do olhar por entre as frestas,
Fazendo-se presente sem jamais estar lá.

Sua água não sacia a minha sede,
Mas ainda sim me afogo.
Sua água pela minha pleura tomada.

Quedam-se os baldes.
Rompe-se a corda.
Como um Narciso às cegas,
Buscando freneticamente
O seu próprio olhar.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Meet me there

Everything is heavy.
The lillies are crushed
Beneath the boots of soldiers.

Our backs are turned to the dawn.
Hope lies beneath the mortar.
Drops trickle down the trenches.

Crouched beneath the shells
On the pale bled sand
Of rocky humdrum beaches.

Meet me there when it is over,
When the days are lighter
And our names whispered
By the sweet breath of children.

sábado, 17 de setembro de 2016

Dias Melhores

Minha liberdade é periférica,
Meus anseios relativos.
Vislumbro num horizonte diminuto
minhas possibilidades podadas.

As paredes se apequenam,
os problemas se avolumam,
em um patético cabo de guerra
disputado entre o mundo e nós.

No sacrifício não há sentido.
O labor jamais liberta.
Agrilhoado por responsabilidades latentes,
ensimesmado pelo peso do mundo.

Hão de vir dias melhores
no qual meu fantasma tomará forma
além dos difusos contornos do abstrato.
Uma vida além do incessante eco,
concretizada no lufar do primeiro sopro
removendo as velhas folhas do jardim.