domingo, 8 de setembro de 2013

música 6

Oneiroi (Sonhos)

Segue do abismo as mãos sombrias que abrem a porta
Caminho cravejado de estrelas e lágrimas
Onde o Infinito nos toca

Em espirais, ao centro sempre a orbitar
Revelando seus doces subterfúgios
Enquanto a manhã não vem nos separar

Enlace efêmero, tão intoxicante e verdadeiro
Ao menos para esta alma que se esqueceu
do que havia lhe sido revelado primeiro

Não importa o quanto dôa e o quanto ainda dói
Seremos sempre Oneiros de Oneiroi.

p.s.: a música que o glauber fez em cima desse texto foi uma das coisas mais belas que eu já ouvi em minha vida

sábado, 7 de setembro de 2013

Golem

Pequeno,
mais do que pensara ser,
tateando feridas na escuridão.
O translúcido amplexo da falta não se aparta
e tampouco deixa-me partir.

Tomo forma.
Delineio em meu rosto
novos sulcos e novas expressões.

Observo calado
dioramas de vidas
dentro das cercanias do possível.
Os dissabores lhes lufam as velas
e anseiam logo por um algo além.

Como criaturas sem criadores
e como criadores sem suas crias,
contemplando todo o peso das escolhas
projetadas nas longitudes plúmbeas
de horizontes equidistantes.