terça-feira, 30 de abril de 2013

Na Escuridão Circundante


O nuance da beleza
nasce da complexidade do possível.
Sobre cicatrizes e sulcos
na pele e peito ornados
escorrem o sentimento e o sangue
pela fria plenitude negados.

Eis que imagino
se os nossos erros e rastros
nos impulsionam serenos
ao encontro de forças
que somente em sonhos
ousamos as ter.

Quando olho para trás
não mais me vejo
e nem mais a frente
poderia eu estar.
Uma estrada por calvários cercada
Sem um fim em vista
que se possa chegar.

Serão as estrelas cadentes
os sinais esperados
ou meros detritos espaciais?
Na penúria e no silêncio
o infinito nos toca
e por breves momentos
nós temos
e somos
mais.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Como Sombra

Eu ouço um rio
e suas águas perenes
carregando-me em seus braços
e envolvendo-me no doce torpor da inconsciência.

Com os olhos cerrados
adormecem os sentidos.
Flutuo sem resistência ou ar.

Nada possui propósito
e no entanto
tudo alcança o seu lugar.

As coisas se tornam simples
quando desemaranhadas.

Havia mais vida
nas beiradas da morte
do que eu jamais pude suportar.

Todas as portas se abrem,
as ruas no silêncio se alargam
e como sombra eu as perpasso.

Gravito em direção a um sol secreto.
Nada me prende.
Nada desejo.
Nada me satisfaz.

Potes quebrados
não ascendem do chão
à unidade nas prateleiras.

Por que vivemos uma vida ao contrário?